Pampack colabora com a campanha "Não deixe a fome matar mais que o Coronavírus", da Fundação Abrinq

Atualizado: Abr 29

Como parte do programa “Empresa Amiga da Criança”, da Fundação Abrinq, a Pampack colabora com a campanha “Não deixe a fome matar mais que o Coronavírus”, ajudando milhares de famílias que estão sem o que comer no Norte e Nordeste do Brasil, regiões bastante afetadas pela pandemia.

O Lar Fabiano de Cristo, localizado em Belém (PA), é uma das sete organizações sociais selecionadas para receber as doações de cestas básicas da campanha. A instituição atende 170 crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Muitas residem em locais que não possuem sequer acesso ao saneamento básico.


A instituição criou um grupo no WhatsApp com todas as famílias que precisam de apoio e, consequentemente, das cestas básicas para organizar e avisar as datas das entregas. A medida foi a solução encontrada para evitar a aglomeração de pessoas na hora da retirada e, assim, diminuir a exposição de todos os envolvidos.


Porém, como nem todas as famílias possuem acesso à internet, a colaboração da comunidade tem ajudado. Os vizinhos se comunicam no boca a boca e avisam aqueles que não têm internet.


As entregas, que acontecerão durante três meses, são realizadas diariamente com espaçamentos de horários entre uma família e outra e, para evitar qualquer possível confusão ou desentendimento entre os familiares, a retirada é restrita para o adulto responsável pela inscrição da criança ou do adolescente na organização.


Entre os responsáveis autorizados a pegar a cesta, está Aline*, mãe do Guilherme*, de 14 anos, que frequenta a instituição, e do Matheus*, de 7 anos. Antes da pandemia, Aline trabalhava com serviços gerais como limpeza. Não era um trabalho fixo, mas era recorrente — o que ajudava no sustento da casa. Seu marido também não era registrado, no entanto, conseguia constantemente serviços como ajudante de pedreiro. Mariza Lima, assistente social do Lar Fabiano de Cristo, comenta que raramente eles recorriam à instituição para pedir ajuda.


Porém, as coisas mudaram bastante após a crise sanitária e econômica. Os trabalhos ficaram escassos e ambos precisaram ficar mais em casa, sem poder trabalhar como antes.


Aline está entre as famílias que não possuem acesso à internet em casa e quando ficou sabendo que poderia buscar a cesta, estava realizando um trabalho pontual que conseguiu no dia para limpar uma residência.


"Ela disse que precisava mandar o marido, porque estava em uma diária e eles não tinham o que comer. Ela ia conseguir um dinheirinho, mas não ia suprir. Ela estava trabalhando, mas a família estava em casa sem o que comer", lembra.


Prontamente o Lar Fabiano de Cristo, compreendendo a situação de emergência, autorizou a retirada da doação pelo marido. A ação garantiu o direito de se alimentar para Aline, seus filhos e o restante de sua família.


Aline mora na casa dos sogros e além das dificuldades enfrentadas pelo casal para garantir alimentação à família, ela se sente pressionada a ajudar em casa, por morar de favor e pelo fato de seu filho mais velho ser fruto de um relacionamento anterior.


"Nós incluímos ela para receber as cestas pensando também nesses conflitos familiares que relatava. Ela sente esse peso, mas não consegue pensar em sair dessa relação, porque não tem estrutura financeira e tem a dependência emocional", diz Mariza.


A assistente social ainda relata que é evidente o comportamento e interação entre as crianças que se encontram em uma situação de vulnerabilidade social daquelas que não: "É notória a diferença, as crianças que estão em extrema vulnerabilidade e risco geralmente apresentam um comportamento mais arredio, quieto e não participativo ou até mais agressivo. Quando a criança está em alguma situação de vulnerabilidade ela reage diferente nas atividades", explica.


A organização está destinando as doações de cestas básicas para 104 famílias que relataram precisar de ajuda. Isso significa que mais de 400 pessoas, sendo mais de 200 crianças e adolescentes, receberão, até abril, apoio para continuarem tendo acesso ao básico neste momento.


"A demanda das famílias agora é por alimento, material de higiene, por garantia de sobrevivência e as cestas acabam representando isso de alguma forma. Mesmo que não durem o mês inteiro, porque algumas famílias são bem grandes, mas elas representam um suporte, um apoio e um sentimento para essas famílias de que não estão sós, que de alguma forma elas são amparadas por alguém", completa.


"Para nós, a doação chegou como um alívio, porque estávamos ajudando uma ou outra família com recursos próprios, mas saber que vamos poder contemplar todas é um alívio. O atendimento social não parou em nenhum momento e temos escutado a cada dia as necessidades delas", finaliza Mariza.


Esta é a história de apenas uma entre as mais de 1.700 famílias que estão sendo amparadas pela campanha. A necessidade delas é urgente e não vamos deixá-las sem acesso ao mínimo necessário para sobreviverem a esta fase que estamos passando.


Esperamos que essa história inspire você também a participar, colaborar e ajudar como puder a quem mais necessita, em especial nesse momento de tanta incerteza e vulnerabilidade. Faça a sua parte, juntos podemos mais!


*Nomes fictícios para preservar a identidade dos envolvidos.


Fonte: Fundação Abrinq e Pampack Embalagens


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